Os erros mais comuns de quem começa um negócio

Começar um negócio é sempre um salto de fé. Requer coragem, dedicação e uma pequena dose de loucura e, num cenário ideal, é uma decisão ponderada, tomada depois de vários cenários terem sido ponderados e com um plano de ação bem delineado. Isto num mundo ideal, mas na realidade sabemos que não é assim.

Muitas vezes, a pressa de começar a faturar ou de assegurar um financiamento, levam a decisões tomadas “em cima do joelho”, abrindo-se empresas sem um plano claro ou uma visão a médio prazo.

A The Alternative Board (TAB) é um projeto de empresários, para empresários, onde todos já passámos por algumas destas dores e cometemos erros. Esses erros, levam a que muitas empresas demorem anos a “endireitar-se”, tentando superar erros com consequências que se continuaram a sentir a longo prazo.

Num inquérito a membros da TAB, foi feito um levantamento de alguns dos principais e mais recorrentes erros cometidos no início das suas empresas, para evitar que outros empresários os voltem a cometer, que, na minha opinião, podem ser reduzidos a cinco principais categorias:

  • Estudo deficiente do mercado

É comum e normal quando temos uma ideia para um produto ou serviço estarmos muito apaixonados sobre o tema, mas muitas vezes, esquecemo-nos de analisar se é realmente algo que esteja em demanda no mercado (seja por haver procura ou por haver excesso de oferta), quem é o nosso público-alvo, se o nosso produto lhe interessa, como lhe podemos chegar e que estratégias de marketing devemos adotar.

  • Ausência de um plano de negócios

Não ter um plano de negócios é o mesmo que sair em viagem sem saber o caminho. Não saber quanto se vai gastar, investir ou receber, é totalmente impensável na gestão de uma empresa. Ainda assim é das situações mais frequentes. Navegar ao sabor do vento ao invés de controlar o leme faz com que aconteçam situações como: vender materiais abaixo do custo de produção; não saber a faturação mínima necessária para o break-even; etc.

Esta ausência de planeamento leva a que sejam cometidos erros, como dar passos demasiado grandes cedo demais, descontrolo financeiro ou uma má gestão do stock disponível.

  • Má gestão de recursos-humanos

No início, é normal contarmos com a ajuda de familiares ou amigos, para dar uma mãozinha aqui e ali, mas muitos empresários passam a confiar demasiado nestes favores, fazendo com que estejam sempre dependentes de terceiros, prejudicando o workflow da empresa e fazendo com que não tenham uma real noção da estrutura de custos da empresa.

Outro erro é não pensar a longo prazo. O ideal é encontrar funcionários que queiram crescer com a empresa, mas também temos de estar preparado para que esses funcionários um dia queiram sair, não ficando a empresa (ou uma função em específico) 100% dependente de uma só pessoa.

  • Gestão do próprio ego

Muitos empresários querem ser o líder perfeito. Todas as tarefas passam por eles e estão sempre a par de tudo o que acontece, todos os funcionários os adoram e têm sempre resposta para tudo. Isto não é real e os empresários que acham que sim, acabam por ser um obstáculo para o seu próprio processo. Para a empresa ser sustentável a longo prazo, é importante aprender a delegar para que os seus colaboradores possam crescer, é importante aprender a priorizar o que tem de ser feito por si ou por eles e é essencial saber dizer “não” e tomar decisões difíceis.

E quanto a ter todas as respostas? Por alguma coisa as grandes empresas têm conselhos de administração onde vários especialistas nas diversas áreas dão o seu contributo. Aprenda a escutar os seus colaboradores, o facto de a ideia poder surgir de um deles, não quer dizer que a decisão final não continue a ser a sua.

Muitos empresários acabam por tornar a sua empresa tão dependente de si, que coisas simples como ir de férias ou sair a horas de estar com a família, são impensáveis.

  • Não pedir ajuda

Ouvimos frequentemente a história de como grandes empresários começaram um negócio multimilionário numa modesta garagem, com dinheiro emprestado ou ganho através de trabalho árduo e achamos que a viagem até ao topo foi sozinha. Nunca o é. Rodeie-se de pessoas que sabem e o podem ajudar a crescer, especialmente das áreas que não domina. Consultar um bom contabilista, conversar com outros empresários ou simplesmente ouvir as sugestões dos seus parceiros de negócios, podem ser a diferença entre o sucesso e o insucesso. O modelo da TAB de juntar empresários a uma mesa para se ajudarem mutuamente a gerir os seus negócios, não nasce por acaso e não é à toa que já contribuiu para o sucesso de mais de 25 mil empresários em todo o Mundo. Não somos ilhas…

A gestão de um negócio não é óbvia e não há um manual de instruções 100% fiável. Todos já cometemos e vamos voltar a cometer erros… isso é uma parte essencial do processo. O importante é que nos continuemos a levantar e aprendamos com eles. 

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